Nº 00 · Sobre · Pb 82 → Au 79
A história de um nome, de quem o escolheu e do sinal que o carrega — contada como um treino: começa pesada, termina a brilhar.
O chumbo tem 82 protões. O ouro tem 79. Esta página tem quatro capítulos, e cada um tira um. O marcador no canto do ecrã vai contando.
Nº 01 · O sonho mais antigo · Pb 82
Em uma frase. Durante séculos, os alquimistas tentaram transformar o metal mais comum no mais precioso — e a ideia era mais sábia do que parece.
A alquimia não era só ambição. Era um método: operações pacientes, repetidas, cada uma preparando a seguinte. Em 1471, o inglês George Ripley descreveu doze delas — dissolver, separar, juntar, purificar… — e chamou-lhes os doze portões.
A frase que resumia tudo era curta: solve et coagula. Dissolver, para voltar a juntar — melhor do que antes.
E agora a surpresa. Em 2025, o sonho cumpriu-se. No acelerador do CERN, em Genebra, núcleos de chumbo que passavam rentes uns aos outros perderam três protões — e viraram ouro. Entre 2015 e 2018 formaram-se cerca de 86 mil milhões de núcleos de ouro. Somados, pesam 29 picogramas: milhões de vezes menos do que um grão de areia. E cada um se desfaz numa fração de segundo.
A lição dos físicos é a mesma dos alquimistas: o ouro existe, mas não há atalho.
A palavra. «Alquimia» chegou ao português pelo árabe al-kīmiyā. Da mesma raiz veio, séculos depois, a palavra «química».
Os símbolos. Para os alquimistas, o chumbo era o metal de Saturno (♄) — lento, pesado, frio. O ouro era o metal do Sol (☉).
Antes do CERN, Berkeley. Em 1980, a equipa de Glenn Seaborg transformou uns milhares de átomos de bismuto — não de chumbo — em ouro, num acelerador. Funcionou, mas o próprio Seaborg calculou o preço: mais de mil biliões de dólares por onça.
Nº 02 · A alquimia que funciona · Tl 81
Em uma frase. O treino desgasta, o descanso reconstrói — e o corpo reconstrói um pouco acima do que estava. É o solve et coagula dos alquimistas, e funciona de verdade.
Quando treina, cansa e desgasta o músculo. Quando descansa, o corpo recupera — e, como não gosta de ser apanhado de surpresa duas vezes, adapta-se um pouco acima do que estava. Os fisiologistas chamam-lhe supercompensação. Os alquimistas teriam dito: solve, coagula.
O ALKMIA faz o mesmo com os seus dados. Cada série que regista é chumbo: matéria-prima. O ALKMIA transforma esse registo em ouro: a decisão seguinte. Três exemplos — os números não foram escritos à mão; saem da mesma regra que o ALKMIA usa no ecrã de treino:
Repare no último. Com esforço alto, o ALKMIA não manda pôr mais peso: mantém a carga e pede mais uma repetição. Às vezes, o ouro é paciência.
Milo de Crotona. Conta a lenda que este lutador grego carregava um bezerro às costas todos os dias. O bezerro crescia, e Milo com ele, até carregar um touro. É lenda, não ciência — mas é a imagem mais famosa de progressão de carga.
O que é o RPE. É a nota de esforço, de 1 a 10, que dá a cada série. RPE 7 quer dizer «ainda tinha três repetições»; RPE 9, «só mais uma». É o que permite ao motor saber se pode pedir mais.
Porque é que o motor não é a IA. No ALKMIA, os números do treino saem de regras fixas, iguais para toda a gente e verificáveis. A IA explica e conversa; não decide cargas.
Nº 03 · O nome e quem o escolheu · Hg 80
Em uma frase. ALKMIA junta alquimia, a arte de transformar, e akmē, a palavra grega para o ponto mais alto. O processo e o destino.
Na primeira parte do nome, a alquimia — o método de transformar. No fim, o grego akmē: o ponto mais alto, o auge, o lugar para onde se treina.
Quem o escolheu foi Rodrigo Costa, o criador do ALKMIA — mineiro, nascido em Minas Gerais e hoje estabelecido em Portugal. Gosta de serras, de tecnologia, de engenharia, de metalurgia e de automóveis. E lê os clássicos — que, por acaso, falam muito de treino:
Do engenheiro, o ALKMIA herdou a regra mais importante: medir antes de decidir, e nunca inventar um número que não registou.
Ainda viva. Akmē deu «acme», que existe em português e em inglês: o ponto culminante, o auge.
Sobre a frase de Marco Aurélio. «O obstáculo no caminho torna-se o caminho» é uma leitura moderna e popular das Meditações (V, 20). A tradução clássica diz que a mente transforma cada impedimento num auxílio.
Nº 04 · O sinal e a cor · Au 79
Em uma frase. O símbolo é um triângulo que é também a letra A — e o dourado dele vem de um mineral com o nome de Goethe.
O símbolo nasceu daquilo que não podia ser: nenhuma pessoa, nenhum halter, nenhuma montanha, nenhum coração. A razão ficou escrita assim:
«A pessoa deve ser representada pelo sistema, não desenhada dentro do símbolo.»
E o objectivo, numa frase: «Não sei exactamente o que é, mas reconheço.»
Equilátero, 60° em cada vértice: o triângulo da bandeira de Minas Gerais. E o sinal alquímico do fogo — o único dos quatro elementos que aponta para cima.
Lá dentro, o mesmo triângulo em negativo. Cheio e vazio na mesma figura: coagula e solve, juntar e dissolver, num só símbolo.
Fecha-se a travessa e o triângulo vira letra: o A de ALKMIA, e de akmē — o ponto mais alto.
E a cor. O dourado do ALKMIA é um ocre — e o que dá cor ao ocre é a goethita, o mineral com o nome de Goethe, o mesmo da estante do autor.
Em Minas Gerais, no Quadrilátero Ferrífero, a goethita não é raridade: é ela que cimenta a canga, a couraça de ferro que cobre a região e a protege da erosão.
O sinal tem o triângulo da bandeira do estado onde o autor nasceu — e a cor da pedra que segura aquela terra.
A letra. A palavra ALKMIA é escrita em Cinzel: capitais romanas, a forma das letras gravadas em pedra.
A prova. Antes de entrar no produto, o sinal foi testado dos 132 aos 16 pixels — o tamanho do ícone de um separador do navegador — em positivo e em negativo.
Goethe e a cor. Em 1810, Goethe publicou uma Teoria das Cores. Quatro anos antes, em 1806, o mineralogista Johann Georg Lenz tinha dado o nome dele a um mineral de ferro — a goethita.
Au 79 · 196,97
O ouro tem uma propriedade rara: não enferruja. O que se constrói com constância fica. Agora é a sua vez — traga o chumbo, e o ALKMIA mostra o caminho.
Fontes, para os curiosos